Eu não desistirei. Vejam o novo blog Peter Pan: uma história de meninas. É só clicar no violão ou no texto abaixo:
Paula Mastroberti
Bem-vindos a Peter Pan e Wendy: projeto. Ele está sendo desenvolvido a partir da minha tese de doutorado defendida na Faculdade de Letras na PUCRS, que basicamente estudou a obra Peter Pan e Wendy, de James Matthew Barrie, suas traduções gráficas e sua receptividade no Brasil. Entre outros objetivos, pretendo apresentar, como produto final, uma versão ilustrada desse texto literário que completou 100 anos em junho de 2011. Este blog foi criado para compartilhar os conceitos, os traços e o processo que envolve a produção dessas ilustrações e da sua versão em quadrinhos.
(Clique sobre as figuras para ampliá-las.)
domingo, 10 de setembro de 2017
Tudo... de novo. Nova história, novo conceito.
Enquanto houver crianças e adultos batendo palmas e acreditando em fadas, enquanto restar no mundo alguma inocência, pensamentos felizes e corações abertos ao menino que Barrie criou e que jamais conseguirá crescer...
Eu não desistirei. Vejam o novo blog Peter Pan: uma história de meninas. É só clicar no violão ou no texto abaixo:
Eu não desistirei. Vejam o novo blog Peter Pan: uma história de meninas. É só clicar no violão ou no texto abaixo:
domingo, 12 de outubro de 2014
Notícias (boas? ruins?)
Bom. Editoras desistem, parceiros desistem. Eu não.
Prossigo trabalhando em Pan sozinha porque (escolha a alternativa que lhe parecer mais correta):
a) sou teimosa
b) sou doida
c) sou obcecada
d) sou apaixonada
e)........................... (acrescente o que quiser)
Não tenho tempo sobrando. Mas Peter não sai da cabeça, não adianta. Bem coisa dele, mesmo. Depois de anos acreditando que Peter Pan existe, começo a imaginar que ele virá me assombrar qualquer hora dessas pela janela do meu quarto...
Agora, a abordagem mudou. Feliz ou infelizmente, não tomará mais o formato de uma história em quadrinhos. Infelizmente, porque seria maravilhoso continuar com essa ideia, contando com uma equipe; felizmente, porque agora, assumindo sozinha, faço com Peter o que quero, e produzir os quadrinhos não era minha ideia inicial. Sempre estive consciente do enorme trabalho que ele daria (os que me conhecem pessoalmente, sabem que eu cansei de apontá-lo, devido a experiência com Adormecida: cem anos para sempre. Se este conto gráfico de em torno de 35 páginas levou 2 anos para ser produzida, imagine uma história de mais de 200!).
Continuarei dentro da proposta de uma narrativa gráfica. O que significa dizer o seguinte: não será mais quadrinhos mas também não será propriamente um livro ilustrado, com um texto de Barrie traduzido ou recriado (sinceramente, não tenho vontade nenhuma fazer com Peter Pan e Wendy o que já fiz com tantos contos de fadas e literatura canônica (Se quiserem saber mais sobre isso, vejam em Moskheroica e em Moscafadas). O texto de Barrie será atravessado por um outro tipo de leitura, resultando num outro formato.
Enfim: eu nunca paro de pensar neste projeto. E ele será concluído e publicado, de um modo ou de outro. Aguardem.
obs.: uma vez que as artes criadas para os quadrinhos estão isentas de qualquer compromisso e liberadas de contrato, vou divulgá-las aos poucos aqui neste blog. Eu já havia concluído os quadros até o final do capítulo 3, ou seja, até o momento em que Peter Pan leva as crianças Darling consigo para Neverland. Cerca de 65 páginas.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Mensagem aos seguidores deste blog
Caros e caras, fãs do universo Peter Pan e amigos nossos.
Devido ao demorado cuidado com que estamos elaborando a versão em quadrinhos da obra Peter Pan e Wendy, e o tempo que ela tem exigido para execução caprichada do roteiro e artes, acabamos perdendo a editora que apoiava o projeto. A editora tem, é claro, suas justas razões, afinal, tempo é dinheiro. E nós temos as nossas: produzir quadrinhos no Brasil é caro e não nos sustenta. O trabalho continua, mas ele vai demorar mais do que o esperado. Será preciso uma boa dose de paciência, não só por parte de vocês, mas de nossa parte também. Obrigado por curtirem e acompanharem esse blog.
Devido ao demorado cuidado com que estamos elaborando a versão em quadrinhos da obra Peter Pan e Wendy, e o tempo que ela tem exigido para execução caprichada do roteiro e artes, acabamos perdendo a editora que apoiava o projeto. A editora tem, é claro, suas justas razões, afinal, tempo é dinheiro. E nós temos as nossas: produzir quadrinhos no Brasil é caro e não nos sustenta. O trabalho continua, mas ele vai demorar mais do que o esperado. Será preciso uma boa dose de paciência, não só por parte de vocês, mas de nossa parte também. Obrigado por curtirem e acompanharem esse blog.
domingo, 7 de julho de 2013
Caderno III - Peter Pan em quadrinhos: processos (5)
Um pouco do meu espaço de trabalho:
Como vcs podem ver, eu tenho lá meus fetiches... A "Torre de Londres"é uma caixa para meus lápis-de-cor. A latinha onde coloco algumas canetas é antiguíssima, da Nescau, década de 60 e, não, não comprei em brechó, está comigo desde a infância.
Os bonequinhos, bem, esses eu comprei há pouco tempo, hehe. Tudo isso me motiva a trabalhar.
É na mesa de luz (é uma mesa eletrônica, portátil, tipo um tablet) que que eu passo os rafs digitalizados (à esquerda, na primeira foto) para a folha de papel onde eu finalizarei as páginas dos quadrinhos. Pra quem não sabe como eu trabalho com meus esboços e rascunhos, é só dar uma olhada na postagem anterior.
terça-feira, 19 de março de 2013
Caderno III - Peter Pan em quadrinhos: processos (4)
Segue uma sequência antológica, deliciosa de se produzir em quadrinhos. O embate entre Peter Pan e sua sombra. Michael, John e Wendy dormem, Peter Pan entra pela janela com Tinker Bell, atrás da sombra perdida.
Não esqueçam que, por trás dos meus traços, existe todo um plano de ação estabelecido pelo roteirista, o Maumau (Maurício Rodrigues). Segue um aperitivo.
A partir do roteiro do Maumau, eu esbocei os quadros em páginas separadas, no meu caderno de produção. Depois, digitalizei os esboços e montei os blocos já prevendo a composição e quadrinhos:
Finalizadas, as mesmas páginas ficaram assim:
As marcações em vermelho e amarelo pertencem a Tinker Bell. Meu trabalho pára aqui, porque o resto ficará por conta da Cris Peter, que vai aplicar as cores.
sábado, 27 de outubro de 2012
Notícias da Terra do Nunca
Meus seguidores aqui do blog e de fora dele têm me perguntado sobre como anda este projeto. Ele continua, ué. Pensa que é mole produzir duzentas páginas em quadrinhos? Quem me acompanha desde o início (Caderno de Desenho n. 1) sabe do trabalho (leituras, esboços, estudos e, sobretudo, desenho, desenho, desenho) envolvido.
Eu, por mim, produziria lentamente, saboreando cada página, cada quadro. Contudo, as engrenagens que movimentam o mercado editorial exigem que a gente acelere. Assim - ô gente apressada e curiosa! - noticio a vocês que a previsão para o lançamento da versão em quadrinhos de Peter Pan e Wendy é em 2013.
Para cumprir essa meta, convidei uma outra artista pra trabalhar comigo, além do roteirista Maurício Rodrigues (o Maumau) que já está integrando o projeto desde o acerto com a Editora 8Inverso.
De agora em diante, Cristiane Duarte Peter (Cris Peter) estará se responsabilizando pelas cores, enquanto eu ficarei com a parte da concepção, desenhos e traços finais.
Não estranhem: uma das coisas legais da produção em quadrinhos é essa semelhança com o cinema, sabem? Poder trabalhar em equipe.
Seis mãos darão conta de Peter Pan? Ufa, eu espero que sim.
domingo, 17 de junho de 2012
Caderno III - Peter pan em quadrinhos: processos (3)
O processo que prefiro para colorir em meio digital é o sistema de camadas, em RGB (sistema de cores aditivas, ou seja, cores produzidas por emissão de luz e não por pigmento, como as das tintas). Para quem não conhece, é possível criar uma arte no Photoshop como se ela fosse dividida em inúmeras folhas de papel transparentes superpostas. Cada "folha"transparente dessas contém uma parte da tintura ou de cor, sem interferir nas demais. Para quem pinta, vai ficar mais fácil de entender se eu disser que se assemelha ao processo de pintar por velaturas. Assim, as páginas em HQ de PAN não são artes "inteiras", mas um conjunto de desenhos e aplicações de tinta complexo à primeira vista, mas que tem por finalidade facilitar a correção de erros, a aplicação de efeitos e compor os blocos (o conjunto de quadrinhos) com maior facilidade e segurança, sem risco de perda dos originais. Vejam só:
Eu comecei esta página com dois desenhos, aqui já finalizados à nanquim (em papel de verdade, tá gente?)
Em seguida, esses dois desenhos finalizados e seus arquivos são reunidos e combinados em um novo arquivo, numa única "folha"ou camada, no photoshop. Vejam como fica no programa: em cima, no painel, vcs vêem a repetição da arte, mostrando o modo como ela está sendo vista à esquerda. Embaixo, dá pra ver as várias camadas (layers) da qual esta arte é feita. Essas layers poderiam ser renomeadas, mas aqui as deixei apenas com seu número, por pura preguiça, mesmo. Os olhinhos abertos indicam quais camadas estão visíveis nesse momento, ou seja, aqui, vcs podem ver apenas o contorno em preto:
Na sequência abaixo, vcs já podem ter uma ideia de uma das áreas já coloridas, visíveis (observem que apareceu uns olhinhos a mais na lista de camadas do Photoshop. Costumo criar um grupo de camadas para cada personagem e, muitas vezes, para certas partes da cena ou efeitos de luz. Faço isso para poder corrigir alguma coisa ou voltar atrás em alguma ideia sem estragar o resto.
Olhem só! Na figura acima, só aparecem as camadas de cor: as dos contornos deixei escondidas (os olhinhos se apagaram). Sempre separo o contorno das cores numa camada exclusiva, para preservar a linha preta deles em seu grau máximo e evitar qualquer acidente, tipo, ela se apagar sem querer no processo de colorização ou se alterar em virtude da aplicação de um efeito qualquer (eu uso muito processos de texturização, desfocagem, ruídos, alterações diversas que podem arruinar o contorno original).
Por fim, segue a arte pronta! Notem que o contorno das cortinas, originalmente preto, foi alterado para azul. A camada da Sra Darling está por cima da camada da moldura. Essa arte, eu a salvo como está, em extensão do photoshop (psd). Depois, crio uma outra versão em tiff, fechada, quer dizer, as camadas coladas, para enviar para impressão. E será somente lá que aí que ela será versada para CMYK, ou seja, para uma grade de cores em canais que serão lidos pela impressora da gráfica e transformados em cores-tinta. Esse é o meu método, mas há outros, é claro. Este me parece adequado porque me permite a justaposicão mais orgânica de de cores e uma maior integração entre elas e o contorno preto, ao mesmo tempo em que me permite modificar a composição das partes e os efeitos criados com maior liberdade.
Há quem pense que se a arte for criada para ser impressa, ela deve ser criada em padrão de cores CMYK, para impressão. Minha experiência me diz o contrário. Eu trabalho com RGB porque não estou pintando em tinta sobre papel, mas com cores-luz sobre a tela eletrônica, e só o produto final é que será vertido para mídia matérica. É claro que é necessário um bom conhecimento de teoria da cor (conhecer sobretudo como funcionam as cores físicas e sua equivalência em cor química) e um programa que faça uma conversão eficiente de cores para impressão, como o Photoshop. Eu trabalho com sistema de percentagens, valores de frequência e numeração de tabelas: NUNCA me baseio pelo que estou enxergando na tela (embora hoje em dia a equivalência entre cor-digital e cor-tinta seja ótima!). Também costumo manter meu monitor calibrado. Tendo esses cuidados, não dá erro, eu garanto.
sábado, 28 de abril de 2012
Caderno III - Peter Pan em quadrinhos: processos (2)
Como prometi, seguem as etapas de finalização. Abaixo, o traçado final, em grafite, foi finalizado em nanquim:
Em seguida, ele foi digitalizado, limpo - quer dizer, tirei alguns traços remanescentes do esboço que insistiam em poluir a arte - e colorido digitalmente.
Aqui, notem que os balões já foram inseridos. Eles foram executados no próprio programa Photoshop e permanecem descolados da arte, caso seja preciso fazer alguma alteração quanto a posição, tamanho ou formato para encaixarem-se no texto. O cenário é propositadamente limpo, com poucos elementos, como podem ver. Isso se deve a dois motivos: primeiro, há muitos personagens em cena, com expressões significativas que devem ser destacadas. Segundo, as cenas iniciais se passam como se personagens estivessem atuando num palco (por isso, quadros com planos horizontais). Notem que a casinha da Nana é plana, não tem fundo, pois simula uma abertura no "cenário"de teatro iluminado, como a porta onde aparece o Sr. Darling.
Alguns quadros exigem a aplicação de efeitos maiores, proporcionados pelo próprio programa Photoshop, como podem ver. Eu poderia ter resolvido o movimento da Sra. Darling de outra forma, mas optei por este, pela facilidade e pela precisão, além do belo efeito que cria.
Aparentemente simples, a aplicação da cor aqui está sendo, na verdade, um trabalho bastante complexo. Se por um lado, a colorização digital facilita e assegura o bom acabamento, por outro pode incorrer numa certa homogeinização da cor, brigando com o traço orgânico e analógico do desenho. Esse é um defeito comum que eu tenho observado nos processos digitais de coloração: por mais volumosa que seja a aplicação de "tinta"digital, de claros e escuros, o colorista esquece que ela deve se agregar ao desenho como se fizesse parte dele desde o princípio. Muitas vezes me deparo com tons "aerografados"que não influem em nada, parecem apenas vazios coloridos aplicados entre os contornos da arte. Ou seja: é como se a cor perdesse o valor, esfriando seu significado. Ora, cor também faz parte da linguagem, gente. Cor também significa, não está ali só pra dizer que existe.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Caderno III - Peter Pan em quadrinhos: processos (1)
Não sei como procedem outros quadrinistas. Em PAN - QUANDO WENDY CRESCEU, cada página está sendo pensada completa (ou seja, não desenho cada quadrinho em separado). Isso porque se, a princípio, as bordas começam rígidas, logo depois elas irão se soltar compondo um bloco mais orgânico, interativo às artes e as ações narrativas. Primeiro, faço um esboço mais grosseiro, com grafite preto, como acima. Depois, ele é repassado para o papel da a arte final, com uma demarcação mais precisa, usando três cores de grafite:
Aqui, as molduras desapareceram, porque o que interessa são os conteúdos a serem finalizados. Essa página está sendo produzida no momento desta postagem. Assim que eu finalizá-la, o resultado será apresentado aqui.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Caderno III - Peter Pan em quadrinhos
A partir de agora, darei início ao processo de divulgação das artes finais que farão parte da versão em quadrinhos PAN - quando Wendy cresceu, a ser publicada pela Editora 8Inverso.
É claro que vocês não poderão vê-la completa aqui. PAN é um trabalho bastante complexo, e exigirá um bom tempo para ser concluído. O roteiro está sendo produzido por Maurício Rodrigues (Maumau), com apoio de todo o trabalho de pesquisa que desenvolvi durante o Mestrado e Doutorado em Letras na PUCRS. As artes (desenho, finalização, colorização e diagramação dos quadros) são minhas. A embalagem de tudo isso está a cargo de Martina Schreiner. Somos todos de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
Essa divulgação é só para dar um gostinho aos fãs e seguidores deste blog, e pra não deixar ninguém pensando que eu desisti da ideia.
Nunca, meus amigos: não enquanto existirem crianças e adultos alegres, inocentes e sem coração.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Nana
Os estudos que seguem foram pensados tendo já em vista publicação. Para os que ainda não sabem, segue a notícia: a versão que estou produzindo será em quadrinhos, com roteiro de Maumau (Maurício Rodrigues). É uma trabalheira medonha: mais de 200 páginas!
Essa versão, que se chama PAN: quando Wendy cresceu, será publicada pela 8Inverso.
Foi para ela que fiz esses estudos de Nana:
A ideia é trabalhar os personagens como se fossem "atores" representando num palco. Assim, a babá dos Darling é uma "atriz"maquiada e fantasiada como uma Terranova. Não foi nada fácil chegar nessa concepção: a minha tendência era preferir Nana tal como Barrie desejou. Mas se a gente pensar que Peter Pan praticamente nasceu no teatro (se não considerarmos Peter Pan in Kensington Gardens), a concepção faz sentido.
No teatro, um ator, vestido de cachorro, anda de quatro. Mas eu optei por deixá-la em pé, me inspirando nas ilustrações de Maurice Sendak para The Little Bear.
O estudo acima é em roupa de passeio, quando ela leva as crianças à escola.
O segundo, abaixo, é um estudo de pose canina (ela é uma humana fingindo que é uma cadela que finge ser humana, certo?).
domingo, 1 de janeiro de 2012
Neverland
Neverland não é exatamente o paraíso onírico que está figurado aqui. Mas no momento em que os Darling visualizam a ilha pela primeira vez, ela deve ter-lhes aparecido assim: romântica, alegre, colorida, um espaço que promete aventuras fantásticas.
Feita de nuvens e estrelas, ela se projeta a partir da imaginação das crianças a um céu-mar infinito. Mas eu ainda não fiquei satisfeita com essa representação. Estou em busca de algo mais psicodélico, menos cartesiano. Menos verde (natural) e mais iridescente (sobrenatural).
domingo, 13 de novembro de 2011
Dedais entre Peter e Wendy
Ah, a cena do beijo... uma das minhas preferidas. Ela começa em Peter Pan em Kensington Gardens, no encontro entre Maimie e Peter, ainda habitante das árvores do parque. Barrie enxugou o texto dessa parte em Peter Pan e Wendy, retirando algo de sua melancólica sensualidade. O troca-troca de beijos e dedais termina numa - afinal! - dedalada de Peter em Wendy. Wendy ficou bem melhor aqui, mais próxima da expressão que eu desejo para ela: o cabelo mais bagunçado, um ar doce, mas quente, de malícia infantil. Peter é fácil, está completamente dominado. Os tons de pele devem diferir, o de Wendy mais rosado e vivo, o de Peter pálido, tendendo para o esverdeado ou azulado. Notem que ele segura o colar com a bolota de árvore na mão, pois também esse colar tem o significado de beijo.
Dessa vez eu deixei os traços do esboço inicial em papel aparecerem mais sob a pintura digital. Sempre tenho pena de soterrar os esboços ou de limpá-los: eles contém informações sobre a escrita gráfica que muitas vezes vale a pena manter, porque traduzem emoção, decisões, hesitações... Reflexões sobre o tema e os elementos desenhados.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Tinker Bell, aqui no Brasil traduzida invariavelmente como Sininho.
Ela só deve aparecer em seu formato "sólido" quando em Neverland. Na casa dos Darling, ela é apenas uma luzinha animada.
Minha configuração de Sininho tem uma levada de mangá nos cabelos. Ela é um ser de fantasia, e deve se apresentar como tal. Mantive a veste de folha seca, mas não em corte reto, como sugere Barrie; ela é rechonchuda e, apesar de fada, quero mostrar um pouco de sensualidade, dado o seu temperamento apaixonado. Os olhos grandes, como os de um inseto, vão irradiar raiva, amor, ciúmes, conforme a situação da narrativa: ela é pequena, então seu rosto deve destacar toda a intensidade dos seus sentimentos.
Eu a imagino mudando o tom do cabelo para púrpura ou roxo quando de mau-humor. Na cena em que ela está morrendo, toda ela deve desbotar para um tom de azul acinzentado, e o cabelo pode branquear.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Capitão Hook em cores
E eis o nosso fascinante Capitão Hook, com seus olhos cor de miosótis ou, como quer um outro tradutor, não-me esqueças (no original, forget-me-not: a flor é a mesma). Sim, além das "velas pretas" descritas no Capítulo V, eu apliquei uns "boucles" no cabelo, que aparecerão quando ele estiver sem o chapéu.
Abaixo, o traço original, em papel:
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Estudos para Wendy: do grafite ao tablet
Estudo de cor para Wendy, com Tinker Bell incluída. A combinação de cores lembra um pouco Elisabeth Taylor versão criança: cabelos escuros e olhos azul-violeta. Ficou com uma expressão um pouco pueril, eu acho, parecendo aqueles retratos românticos de criança (tipo Murillo, se é que me entendem). O melhor de Wendy - um arzinho um tanto malicioso e mais esperto - surge quando ela está com Peter, cuja pele fria, de tons azulados, contrastará com a sua, mais rosada e saudável. Numa tentativa próxima, prometo fazer coisa melhor.
Acima, o esboço em grafite sobre papel que originou a arte digital.
domingo, 26 de junho de 2011
Estudos para Peter Pan - do lápis ao tablet
O estudo, feito em grafite sobre papel, foi digitalizado e colorido em etapas.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Primeiro caderno - conclusão
Até aqui, cumpri os processos iniciais para produção das artes para a obra Peter Pan e Wendy, que completou em junho 100 anos de existência. Abri e digitalizei um caderno de esboços realizados no período de 10 meses, entre 2 de julho de 2010 e 3 de abril de 2011.
Minha próxima etapa será a de aplicar as ideias e conceitos surgidos durante essa primeira fase na configuração de ilustrações chaves para a obra, incluindo estudo de ambiências, estudos de cor e planejamento gráfico. Essa segunda fase também será veiculada aqui, assim que possível.
O segundo caderno já foi iniciado. Outras ideias estão surgindo, ideias anteriores estão sendo apuradas e até modificadas.
Também estou sendo contatada por algumas editoras.
Agradeço o interesse de todos os que acompanharam esse trabalho até aqui - espero que prossigam interessados e comentando. Ele permanecerá disponível, ao lado do próximo segmento, nesse mesmo blog.
Minha próxima etapa será a de aplicar as ideias e conceitos surgidos durante essa primeira fase na configuração de ilustrações chaves para a obra, incluindo estudo de ambiências, estudos de cor e planejamento gráfico. Essa segunda fase também será veiculada aqui, assim que possível.
O segundo caderno já foi iniciado. Outras ideias estão surgindo, ideias anteriores estão sendo apuradas e até modificadas.
Também estou sendo contatada por algumas editoras.
Agradeço o interesse de todos os que acompanharam esse trabalho até aqui - espero que prossigam interessados e comentando. Ele permanecerá disponível, ao lado do próximo segmento, nesse mesmo blog.
Último capítulo, enfim. O Capítulo XVII - When Wendy grew up [Quando Wendy cresceu] chegou a fazer parte do roteiro da peça de teatro, mas jamais foi encenado. No texto literário, entretanto, ele foi acrescentado, graças-a-deus: para mim, ele é extremamente significativo e fundamental para se compreender o universo barrieano e sua mais famosa personagem - Peter Pan. Nunca consigo lê-lo sem chorar. E olha que minhas leituras desse universo (digo universo porque ele é, na verdade, plurimidiático: teatro, filmes, animações...) começaram aos seis anos, com a Disney.
Os meninos perdidos são adotados pela família Darling, tal como prometeu Wendy. Todos crescem, ficam adultos. Mas os meninos são tratados de modo diferente de Wendy por Barrie, que não enxerga no sexo masculino uma continuidade para o espírito infantil (o único modo de um menino permanecer criança seria assumir-se um "peter pan", ao que parece, tal como diagnosticou Dan Kiley). Os garotos crescem e esquecem como voar, esquecem Neverland e as aventuras vividas. Wendy, entretanto, não chega a romper com o período infantil: ela cresce, amadurece, mas algo de Peter Pan permanece nela, e será transferido para as próximas gerações. Nota-se a admiração, ou melhor, a reverência carinhosa de Barrie pela função mulher-mãe.
Wendy cresce aos poucos: primeiro, Barrie diz que ela já não cabe mais no vestido de flores, folhas e frutas vermelhas que ela havia confeccionado na sua primeira viagem a Neverland (oh, sim, ela é a única a voltar para lá, sempre nas primaveras). Ela não esquece Peter, mas é Peter quem a vai esquecendo, como esquece as aventuras que vive, como esqueceu até mesmo o seu maior inimigo, o Capitão Hook.
A ilustração à direita, acima, deve ser anterior a que está à esquerda: nela vemos Wendy em plena puberdade, o corpo meio envergonhado ainda, com seu vestido curtinho: me tirem todas as ilustras desse capítulo, mas não me tirem esta! Wendy NUNCA foi ilustrada assim, nesse misto de sensualidade e inocência. Me inspirei direto em Pubertet, de Edvard Munch.
Ela se casa, mas não pode deixar de olhar para trás, esperando que Peter apareça e a leve para seu o mundo. Numa época em que as mulheres casavam quase sempre por obrigação, muitas vezes sem conhecer plenamente seus futuros maridos, é possível compreender o temor de Wendy pelo casamento e pelo estranho que está ao seu lado.
Então, numa noite, após colocar Jane, sua filha na cama, Peter reaparece, tão pequeno quanto surgiu para Mary Darling (que já faleceu e que tinha aquele beijo, lembram, escondido nos cantos dos lábios). Ele se assusta com uma Wendy adulta - a cena é trágica e carregada de melancolia.
Peter, sabemos, não é de manter por muito tempo os mesmos sentimentos: logo ele se distrai com Jane, com quem havia confundido a antiga amiga inicialmente. A história termina tristemente para a minha querida protagonista, pois agora é a vez de Jane partir. Para Wendy, a janela aberta para Neverland não é mais transponível. Para Peter Pan, o texto literário é, entretanto, só mais um evento em sua longa, transcendente e eterna narrativa. Depois de Jane, virá Margareth e depois - quem sabe? - eu, você.
Isso enquanto existirem no mundo crianças alegres, inocentes e sem coração e adultos que preservem, na memória e no espírito, todas as instâncias da vida em si mesmos.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
O Capítulo VI - The return home [Retorno ao lar] corresponde à última cena da peça de teatro. As crianças voltam para casa e para os braços do Sr. e da Sra. Darling, que nunca perderam as esperanças de reavê-los. Nesse capítulo, tudo acaba bem, como na encenação pantomímica.
Ele inicia com uma descrição um tanto estranha do nosso jovem herói. Passa a impressão de que ele se torna - ou deseja tornar-se - o seu oposto: o Capitão Hook. Ele maltrata e castiga os meninos, veste-se com as roupas do seu arqui-inimigo (adaptadas por Wendy, a seu pedido) e curva o dedo indicador em forma de gancho, exibindo-o ameaçadoramente. Nunca vi ou li, em nenhuma narrativa, seja em quadrinhos, filme ou literatura, uma transfiguração igual de herói em alter-ego. Se alguém lembrar de alguma, me escreva.
Imaginem Peter Pan, vestido com os trajes do pirata morto. Ilustrar isso é a glória. Posso imaginar até mesmo as cores, um tom de vermelho-sangue escuro do casaco roto, um branco encardido na camisa puída do Capitão, Uma criança que não pode crescer, por um instante, copia o único adulto que lhe serviu de modelo. A figura "Peter Hook" torna-se uma verdadeira síntese da situação patética do menino que não crescerá jamais.
Enquanto isso, adultos de carne-e-osso aguardam seus filhos. A janela nunca foi fechada (ao contrário da casa de Peter, em Peter Pan in Kensington Gardens). O Sr. Darling, para punir-se, foi morar na casinha de Nana; a Sra. Darling vigia constantemente, à espera. Ao invés de frases piegas, Barrie nos faz uma descrição irônica do estado de desespero da Sra. Darling. As brincadeiras da voz narrativa, ao descrever e se imiscuir nos sentimentos da mãe, não suavizam a melancólica cena, ao contrário: tornam-na ainda mais tocante. Simpatizamos com o casal, com sua dor.
O retorno das crianças não é um evento tão simples. Em qualquer narrativa mais plana, as crianças irromperiam a janela voando, vibrantes, e seriam abraçadas calorosamente pelos pais. Fim.
Mas Barrie não cai nessa cilada. Não é que isso não aconteça - acontece, tal como esbocei abaixo:
Mas antes, Peter se antecipa, voa na frente, entra no quarto, onde a mãe e o pai aguardam. O que é que ele planeja? Simples: fechar a janela, com a ajuda de Tinker Bell. Impedir a entrada das crianças, sobretudo de Wendy: "I'm fond of her too. We can't both have her, lady" ["Eu gosto dela também. Nós dois não podemos tê-la, senhora"]. Quer que elas pensem que o Sr. e Sra. Darling os esqueceram. Tal como aconteceu com ele, uma vez.
Eu cheguei a esboçar essa cena. Depois, achei que poderia ficar graficamente semelhante a cena final, quando Wendy está adulta, e isso faria com que as imagens projetadas perdessem a força.
Assim, Peter Pan aparecerá, segundo minha concepção, espiando o encontro feliz da família, através da janela.
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