Paula Mastroberti

Bem-vindos a Peter Pan e Wendy: projeto. Ele está sendo desenvolvido a partir da minha tese de doutorado defendida na Faculdade de Letras na PUCRS, que basicamente estudou a obra Peter Pan e Wendy, de James Matthew Barrie, suas traduções gráficas e sua receptividade no Brasil. Entre outros objetivos, pretendo apresentar, como produto final, uma versão ilustrada desse texto literário que completou 100 anos em junho de 2011. Este blog foi criado para compartilhar os conceitos, os traços e o processo que envolve a produção dessas ilustrações e da sua versão em quadrinhos.
(Clique sobre as figuras para ampliá-las.)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Caderno III - Peter Pan em quadrinhos: processos (1)


Não sei como procedem outros quadrinistas. Em PAN - QUANDO WENDY CRESCEU, cada página está sendo pensada completa (ou seja, não desenho cada quadrinho em separado). Isso porque se, a princípio, as bordas começam rígidas, logo depois elas irão se soltar compondo um bloco mais orgânico, interativo às artes e as ações narrativas. Primeiro, faço um esboço mais grosseiro, com grafite preto, como acima. Depois, ele é repassado para o papel da a arte final, com uma demarcação mais precisa, usando três cores de grafite:


Aqui, as molduras desapareceram, porque o que interessa são os conteúdos a serem finalizados. Essa página está sendo produzida no momento desta postagem. Assim que eu finalizá-la, o resultado será apresentado aqui.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Caderno III - Peter Pan em quadrinhos


A partir de agora, darei início ao processo de divulgação das artes finais que farão parte da versão em quadrinhos  PAN - quando Wendy cresceu, a ser publicada pela Editora 8Inverso.

É claro que vocês não poderão vê-la completa aqui. PAN é um trabalho bastante complexo, e exigirá um bom tempo para ser concluído. O roteiro está sendo produzido por Maurício Rodrigues (Maumau), com apoio de todo o trabalho de pesquisa que desenvolvi durante o Mestrado e Doutorado em Letras na PUCRS. As artes (desenho, finalização, colorização e diagramação dos quadros) são minhas. A embalagem de tudo isso está a cargo de Martina Schreiner. Somos todos de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

Essa divulgação é só para dar um gostinho aos fãs e seguidores deste blog, e pra não deixar ninguém pensando que eu desisti da ideia.
Nunca, meus amigos: não enquanto existirem crianças e adultos alegres, inocentes e sem coração.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Nana

Os estudos que seguem foram pensados tendo já em vista publicação. Para os que ainda não sabem, segue a notícia: a versão que estou produzindo será em quadrinhos, com roteiro de Maumau (Maurício Rodrigues). É uma trabalheira medonha: mais de 200 páginas!
Essa versão, que se chama PAN: quando Wendy cresceu, será publicada pela 8Inverso.

Foi para ela que fiz esses estudos de Nana:


A ideia é trabalhar os personagens como se fossem "atores" representando num palco. Assim, a babá dos Darling é uma "atriz"maquiada e fantasiada como uma Terranova. Não foi nada fácil chegar nessa concepção: a minha tendência era preferir Nana tal como Barrie desejou. Mas se a gente pensar que Peter Pan praticamente nasceu no teatro (se não considerarmos Peter Pan in Kensington Gardens), a concepção faz sentido.
No teatro, um ator, vestido de cachorro, anda de quatro. Mas eu optei por deixá-la em pé, me inspirando nas ilustrações de Maurice Sendak para The Little Bear.

O estudo acima é em roupa de passeio, quando ela leva as crianças à escola.
O segundo, abaixo, é um estudo de pose canina (ela é uma humana fingindo que é uma cadela que finge ser humana, certo?).



domingo, 1 de janeiro de 2012

Neverland


Neverland não é exatamente o paraíso onírico que está figurado aqui. Mas no momento em que os Darling visualizam a ilha pela primeira vez, ela deve ter-lhes aparecido assim: romântica, alegre, colorida, um espaço que promete aventuras fantásticas.

Feita de nuvens e estrelas, ela se projeta a partir da imaginação das crianças a um céu-mar infinito. Mas eu ainda não fiquei satisfeita com essa representação. Estou em busca de algo mais psicodélico, menos cartesiano. Menos verde (natural) e mais iridescente (sobrenatural).

domingo, 13 de novembro de 2011

Dedais entre Peter e Wendy


Ah, a cena do beijo... uma das minhas preferidas. Ela começa em Peter Pan em Kensington Gardens, no encontro entre Maimie e Peter, ainda habitante das árvores do parque. Barrie enxugou o texto dessa parte em Peter Pan e Wendy, retirando algo de sua melancólica sensualidade. O troca-troca de beijos e dedais termina numa - afinal! - dedalada de Peter em Wendy. Wendy ficou bem melhor aqui, mais próxima da expressão que eu desejo para ela: o cabelo mais bagunçado, um ar doce, mas quente, de malícia infantil. Peter é fácil, está completamente dominado. Os tons de pele devem diferir, o de Wendy mais rosado e vivo, o de Peter pálido, tendendo para o esverdeado ou azulado. Notem que ele segura o colar com a bolota de árvore na mão, pois também esse colar tem o significado de beijo.

Dessa vez eu deixei os traços do esboço inicial em papel aparecerem mais sob a pintura digital. Sempre tenho pena de soterrar os esboços ou de limpá-los: eles contém informações sobre a escrita gráfica que muitas vezes vale a pena manter, porque traduzem emoção, decisões, hesitações... Reflexões sobre o tema e os elementos desenhados.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011


Tinker Bell, aqui no Brasil traduzida invariavelmente como Sininho.
Ela só deve aparecer em seu formato "sólido" quando em Neverland.  Na casa dos Darling, ela é apenas uma luzinha animada.

Minha configuração de Sininho tem uma levada de mangá nos cabelos. Ela é um ser de fantasia, e deve se apresentar como tal. Mantive a veste de folha seca, mas não em corte reto, como sugere Barrie; ela é rechonchuda e, apesar de fada, quero mostrar um pouco de sensualidade, dado o seu temperamento apaixonado. Os olhos grandes, como os de um inseto, vão irradiar raiva, amor, ciúmes, conforme a situação da narrativa: ela é pequena, então seu rosto deve destacar toda a intensidade dos seus sentimentos.
Eu a imagino mudando o tom do cabelo para púrpura ou roxo quando de mau-humor. Na cena em que ela está morrendo, toda ela deve desbotar para um tom de azul acinzentado, e o cabelo pode branquear.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Capitão Hook em cores


E eis o nosso fascinante Capitão Hook, com seus olhos cor de miosótis ou, como quer um outro tradutor, não-me esqueças (no original, forget-me-not: a flor é a mesma). Sim, além das "velas pretas" descritas no Capítulo V, eu apliquei uns "boucles" no cabelo, que aparecerão quando ele estiver sem o chapéu.
Abaixo, o traço original, em papel: